sábado, 24 de novembro de 2012

Sorte?

Imagine esta cena. Voce olha para a mesa e vê um dado comum de seis lados (pode parecer obvio, mas existem dados de menos ou mais de seis lados, o que é um comentário A Lá Cultura Inútil). Olha para ele e vê as faces e seus numeros. Então voce decide pegar o dado. Naturalmente que sua vontade é lançá-lo a mesa para ver qual numero cai com a face para cima, mas está atento a todos os pormenores envolvidos neste evento. O dado se movendo entre seus dedos, a posicâo do seu corpo e o movimento de cada musculo envolvido nesta ação, assim como a forças empregadas.
Antes de lancar o dado voce se certifica de observar a superficie onde o dado cairá, sua aspereza, composicão e condiçao assim como o material que constitui o dado. Se deixa sentir o ar, atento à menor brisa e até mesmo à sua umidade (se for tão sensível a esse ponto, convenhamos)
Ao fim, depois de verificar outras possiveis condicoes como temperatura, ruidos sonoros ou altitude com relacão ao nivel do mar, voce finalmente lança o dado, fazendo-o girar várias vezes durante a curva que descreve sua ascencão e queda.

Apos a primeira colisão com a superficie da mesa, uma sucessão de outras colisões se sucedem alterando o angulo e as forcas que operam sobre o dado até que por fim ele pára numa posição qualquer com um numero qualquer entre um e seis inclusive, na face voltada para cima. Ao ver o numero, voce volta ao seu estado normal de percepção dos eventos.

Apesar de não houverem meios para testar esta afirmação, eu creio que se repetíssemos esse ato, reempregando todos os parametros envolvidos descritos acima (junto com aqueles mais sutis e que não vem ao caso citar), o mesmo resultado seria obtido, isto é, o mesmo numero estaria na face do dado voltada para cima.

Isto implica que nada acontece por acaso, por mais efemero e curto que um evento possa ser, ele sempre poderá ser (ou estar entre) a causa do evento que o sucede. Tentar a sorte com um dado (uma moeda ou qualquer outra coisa) é usar uma ferramenta para filtrar um valor apartir do conjunto de circunstãncias que envolvem uma determinada situação no tempo e espaço. O que torna as coisas interessantes está na nossa incapacidade de compreender todos os fatores que influenciam tal resultado (as causas e consequencias), pois se soubéssemos a ordem e causa de todos os eventos, descobriríamos de antemão o valor sorteado no dado.

Isto não é uma teoria, mas sim uma forma de esplicar o "como" e "porque" de certas coisas.

Eu poderia pegar uma camera fotográfica e uma bola de tenis. Lancaria a bola para cima, pegaria a maquina e tentaria capturar uma imagem da queda da bola. Depois, transferida a imagem para meu computador, a abriria em um editor de imagens e calcularia o raio da desfocagem do movimento da bola e o usaria da mesma forma que faria com a face superior do dado. Mas, vejamos que interessante, ha mais fatores envolvidos, alem da fisica que rege sobre os corpos e suas interações. Suponha que eu tenha pouca coordenação motora e teremos um fator não regido pela fisica capaz de alterar o resultado final. Pode ser que minha má coordenação se dê por conta dos genes que carrego ou por algum trauma fisico ou mental sofrido em algum momento da minha vida. Eis aí um fator sutil o suficiente para confirmar ou desmentir o exemplo anterior do dado.

O que pensar disso?

A Pergunta Seguinte

Ja faz algum tempo que eu tenho parado pra escrever minhas reflexoes e outros tipos de textos que gosto de escrever, mas nada parecia estar enterrado no solo da minha consciência (hmmm... que profundo!) que eu pudesse extrair e usar de materia prima.

Havia pego um novo habito, o de escrever poesias de amor. Apesar de nenhum poema ter qualidade artistica, profundidade ou estilo, posso dizer que havia ao menos uma pitada de personalidade em cada uma deles.

Quanto aos meus outros textos, os sobre cosmologia e religião, não tenho encontrado respostas às questoes que se levantam na minha tentativa de unir os dois temas. E há muito sobre o que refletir e eu não tenho me colocado a fazer isso com a frequencia de antes.

Porque isso está acontecendo? Eu, que gosto de procurar pela Pergunta Seguinte, percebi num estalo, logo antes de escrever este texto, que a pergunta acima é a próxima pergunta. A minha Pergunta Seguinte.

Estava mais do que óbvio. Bastou fazer uma pequena recordação dos eventos que experienciei nos ultincmos dias. O estado de espirito com qual tenho passado estes dias afetou minha inspiraçao, tirou minhas vontades de pensar, de meditar, de compor. Tirou até a minha já escassa vontade de me socializar, pois há pessoas com quem há muito não falo e que não vejo.

Pra ilustrar melhor o que se passa, este é aquele tipico momento em que algo da nossa vida pessoal afeta tambem as relacoes com as pessoas do nosso dia-a-dia assim como afeta nossa disposicões e motivações.

Bom, a Pergunta Seguinte à pergunta anterior é: como vou voltar ao ritmo de antes? O que eu era antes dependia não só de mim mas de outros fatores muito importantes. E são esses fatores importantes com os quais não posso mais contar que estão me afetando tanto.

A segunda ilustração descreve aquela situação na nossa vida em que a energia que gastamos quando fazemos coisas boas vêm de outras fontes. Como o amor, por exemplo. Fazemos tantas coisas quando o amor por alguem transborda no nosso peito mas, se por ventura nos é tirada a esperança de vivê-lo, junto com ela se vai toda a nossa boa disposiçao.

A resposta a essa Pergunta Seguinte vai me manter ocupado por um bom tempo, uma vez que todas as outras perguntas dependem um pouco de sua resposta. Tenho o diagnóstico mas preciso pensar num tratamento. Além disso, a idéia por tras desse conceito é que toda resposta é a semente da Pergunta Seguinte, entao (eis a parte engraçada), preciso pensar para continuar tendo no que pensar.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quer um conselho?

Há muito o que se pode fazer nessa vida. Você pode ser uma pessoa determinada, esforçada e batalhadora, sempre constuindo seu futuro, ou você pode passar a sua vida curtindo, fazendo o minimo necessário para poder continuar fazendo o que mais gosta: se divertir. E ao longo da sua vida você vai esbarrar com pessoas que são como um desses dois exemplos. Na verdade, nao importa de qual lado você esteja, não existe um lado bom e outro ruim: existem apenas consequencias. A unica coisa que muda é a ordem dos fatos: ruim agora e bom depois ou vice-versa.

De qualquer forma, quer você trabalhe muito ou se divirta muito, tome cuidado quando começar gostar de alguém. É claro que você deve fazer isso, está na sua natureza, oras! Mas você demorou demais pra nascer, infelizmente. Aliás, você e seja lá quem for que você gosta. Voces nasceram num tempo onde respeito virou pó de ferrugem, o caráter está derretendo e o amor...  putz... nem sei se ainda existe; é uma palavra bonita de dizer. Só.

Mas, voltando, tome cuidado. Você pode ficar com quem gosta, e ser feliz. E tomara que seja assim. Tomara mesmo. Mas o cuidado maior que você deve tomar é este, preste muita atenção: nunca diga "eu te amo". Nao faça isso. Aliás, até faça, apenas se você souber o que significa amor atruísta e se você ama desta forma. Senão, se prepare, pois você vai virar tapete! A partir do momento que você proferir esta afirmação, você perdeu. Não importa sob qual ponto de vista você perdeu, seja sob o angulo dos esforçados ou dos preguiçosos. Você perdeu e ponto. E sabe porque? eu vou te dizer porquê. Leia com atenção.

A primeira coisa que vai acontecer é que seu amor não vai ser correspondido ou se for, será de uma forma muito pouco satisfatória. Diga a si mesmo que isso não importa se é assim e você estará mentindo da pior forma possível. Você vai querer receber amor em retorno mas advinhe só: ele não virá, e quando vir, será com muito custo, reclamado ao invés de vir espontaneamente. Contente-se com isso.

Se você era uma pessoa interessante pra quem você ama, o cigarrinho do amor que você fuma fez esse interesse virar fumaça.. hahahaha...  você já está em segundo plano. Observe e verá. Você que estava acostumado a ser interrogado e que conversava por horas com esta pessoa especial vai perceber que aquela atenção dedicada a você está direcionada a outras pessoas, se você tiver a chance de ver isso acontecer...  hahaha... veja ou não veja, assim é que será.

E quando a situação ficar tensa? Você vai espernear um pouco, vai criar polêmica, jogar merda no ventilador e fazer o caralho a quatro (perdão pela linguagem) e as suas palavras vao estar enfeitadas de "eu te amo". Enfeitadas ou infestadas? Seja o que for, só vai servir pra duas coisas: nada pra você mas a outra pessoa vai pensar: "isso, isso e aquilo eu não posso fazer perto dele(a) porque dá nisso." Hahaha... É... O que eu disse sobre caráter?

O amor que você carrega vai te fazer pensar com um pouco de decência sobre como você leva a sua vida, sem dúvida. Mas você vai exagerar e se iludir, isto é, afastar do seu pensamento todas aquelas coisas boas de se fazer quando o amor não existe... aquelas coisas que a pessoa que você ama não mais fará com você, eis a verdade! Mas ela continuará fazendo, entenda isso. O amor que você tem vai te fazer perdoar tudo, a confiar sempre, a esperar o melhor, a nunca negar carinho. Mas na sua primeira falha você não terá o perdão; nunca mais ouvirá segredos e estará por fora dos assuntos; será zoado na cara dura e vai ter que pedir se quiser ganhar um beijo... Game Over pra você.

Se você fez a besteira de dizer aquelas três palavras, pode ser que você consigar consertar, ficando de boca fechada. Uma vez basta. E se de fato você ama, não diga isso nunca mais. Deixe que suas atitudes falem por você. Ninguém é o que diz de si mesmo e nunca vai ser, não é verdade? E assim você vai passar a ler no comportamento alheio o que você significa para tal pessoa, antes de esperar que te digam "eu te amo". Abra os olhos, cara pálida!

Post Scriptum: Mas não se esqueça que depois de dizer "eu te amo", cedo ou tarde seu chifre vai aparecer. Você vai ficar imaginando que não será feliz com mais ninguém, enquanto a outra pessoa vai estar fodendo por aí (perdão novamente) a torto e a direito e dizendo "não estou fazendo nada demais". Engula essa sem beber agua...

Post Post Scriptum: Depois de ler o que acabei de escrever me dei conta do quâo clichê essas palavras soam... Parece protesto de gente mal amada... Sermão do caralho (oh! perdão...).

Post Post Post Scriptum: Essa é legal: a pessoa que você tanto ama também vai te dizer "eu te amo", mas vai ser nos momentos mais filha da puta de especiais (ops! perdão) que existem, como na hora em que você sentar pra cagar.. hahaha...

domingo, 9 de setembro de 2012

Aquilo com que nos identificamos nos muda

A mídia tem forte, direta, porém não controlada influencia sobre a superficie da memória.

Consideremos a nossa memória como uma pilha de lembranças, estando as mais recentes no topo e as mais antigas no fundo. É correto pensar que nossos sentidos captam informação constantemente do mundo que nos rodeia, provocando as mais diversas reações emocionais e, talvez por consequencia disso, moldando sutilmente o nosso comportamento, as nossas tendencias, gostos, opinioes etc.

Vou dar um exemplo para ilustrar este conceito. Imagine que voce está na sua casa e que, por infortunio, voce pode ouvir claramente os ruidos externos como carros que passam, pessoas que andam na calçada conversando, entre outras coisas. Voce está acostumado a ouvir carros passando durante a noite com o som alto, tocando as musicas mais populares das radios. Numa noite voce ouve uma musica nova e presta atenção à letra daquele pequeno trecho que foi possivel ouvir, pois o carro estava apenas passando em frente à sua casa. Cada pessoa tem uma reação diferente baseada em sua propria experiencia do mundo, mas suponhamos que voce tenha se identificado com aquilo que ouviu e apreciado. Voce pode passar a cantar aquele pequeno trecho da musica toda vez que se lembrar dele, e passará também a refletir sobre a mensagem contida na letra e, consciente ou inconscientemente, assimilá-la. Está claro para qualquer um que toda musica fala, cada uma a seu modo, de um determinado comportamento, emoção, experiência vivida, enfim, assuntos tipicos da vida emocional do homem. Pode ser que a musica fale de algo já vivido, ou pode ser que ela relate uma reação diante de uma situação comum e fugaz do dia a dia. Nesse segundo caso, de maneira muito sutil, uma musica pode, estando na memória recente de um individuo, sugerir um comportamento ou reação diante de uma situação semelhante àquela cantada na mesma. Isso se dá com mais força quando se tem pouca experiencia de vida, onde os primeiros aprendizados e experiencias quase sempre servem de base para os seguintes.

É claro que quanto mais o individuo for experiente e consciente de si mesmo, menos provavel será que essa dinâmica se realize, uma vez que deve ter aprendido a filtrar o conhecimento que absorve e a verificar a coerência do conhecimento que já assimilou.

O titulo e o exemplo dado neste post cita apenas um exemplo de qual fonte pode causar essa dinamica de eventos. Tomando uma forma menos formal, tudo aquilo com que nos identificamos causa mudança em nós. Não é uma questão de isso ser bom ou mal: apenas acontece. Além disso, cabe ao individuo interpretar aquilo que acontece em seu meio e decidir como lidar com essa constante chuva de influencias.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Assim fala geJor

Eu costumava e costumo pensar que ninguém deveria se convencer de nada e nem ninguém. Pois as coisas mudam, as pessoas mudam mais ainda (talvez não nas atitudes, mas nas intenções por trás das mesmas).

O erro da convicçao está em esperar algo de alguém, baseado na superficialidade do comportamento que esta pessoa apresenta. Afinal de contas, quem sabe o que se passa na mente e coraçao de outra pessoa?

Sem duvida que não é ingenuidade esperar o melhor de alguém. Da mesma forma que desejamos que o melhor aconteça para alguém, esperamos que alguém se digne a fazer o que é bom. Isto é acreditar no potencial de alguem para fazer o bem.

Mas duas pessoas podem fazer exatamente a mesma coisa tendo intenções completamente diferentes ou até mesmo opostas. Há tanto que se pode fazer em uma vida, tanto para experienciar, tantas pessoas com quem conviver, tantos ambientes, pensamentos, sensações, objetivos, enfim, é impossível fazer um contorno de tudo que se fez e onde se esteve na vida e, ao fim, encontrar linhas retas.

Continua...

sábado, 28 de julho de 2012

Esqueci, cacete!

Outro dia, parei para consultar um tal dicionário em um site gringo. Achei um verbete interessante para algo que me ocorre com muita frequência: "googlezheimer". Se você não sacou, eu explico: é quando você precisa pesquisar alguma coisa no todo-poderoso Google (tm) e, no momento que está diante deste guru, é acometido por aquele branco inconveniente.


Neste primeiro post, se me permite inventar um termo semelhante, fui acometido de "postzheimer". Caralho! O que eu ia escrever mesmo.


PS.: Aliás, UrbanDictionary é o nome do site.