A mídia tem forte, direta, porém não controlada influencia sobre a superficie da memória.
Consideremos a nossa memória como uma pilha de lembranças, estando as mais recentes no topo e as mais antigas no fundo. É correto pensar que nossos sentidos captam informação constantemente do mundo que nos rodeia, provocando as mais diversas reações emocionais e, talvez por consequencia disso, moldando sutilmente o nosso comportamento, as nossas tendencias, gostos, opinioes etc.
Vou dar um exemplo para ilustrar este conceito. Imagine que voce está na sua casa e que, por infortunio, voce pode ouvir claramente os ruidos externos como carros que passam, pessoas que andam na calçada conversando, entre outras coisas. Voce está acostumado a ouvir carros passando durante a noite com o som alto, tocando as musicas mais populares das radios. Numa noite voce ouve uma musica nova e presta atenção à letra daquele pequeno trecho que foi possivel ouvir, pois o carro estava apenas passando em frente à sua casa. Cada pessoa tem uma reação diferente baseada em sua propria experiencia do mundo, mas suponhamos que voce tenha se identificado com aquilo que ouviu e apreciado. Voce pode passar a cantar aquele pequeno trecho da musica toda vez que se lembrar dele, e passará também a refletir sobre a mensagem contida na letra e, consciente ou inconscientemente, assimilá-la. Está claro para qualquer um que toda musica fala, cada uma a seu modo, de um determinado comportamento, emoção, experiência vivida, enfim, assuntos tipicos da vida emocional do homem. Pode ser que a musica fale de algo já vivido, ou pode ser que ela relate uma reação diante de uma situação comum e fugaz do dia a dia. Nesse segundo caso, de maneira muito sutil, uma musica pode, estando na memória recente de um individuo, sugerir um comportamento ou reação diante de uma situação semelhante àquela cantada na mesma. Isso se dá com mais força quando se tem pouca experiencia de vida, onde os primeiros aprendizados e experiencias quase sempre servem de base para os seguintes.
É claro que quanto mais o individuo for experiente e consciente de si mesmo, menos provavel será que essa dinâmica se realize, uma vez que deve ter aprendido a filtrar o conhecimento que absorve e a verificar a coerência do conhecimento que já assimilou.
O titulo e o exemplo dado neste post cita apenas um exemplo de qual fonte pode causar essa dinamica de eventos. Tomando uma forma menos formal, tudo aquilo com que nos identificamos causa mudança em nós. Não é uma questão de isso ser bom ou mal: apenas acontece. Além disso, cabe ao individuo interpretar aquilo que acontece em seu meio e decidir como lidar com essa constante chuva de influencias.
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